Leonardo revela detalhes do radar que equipará novo caça de 6ª Geração

Em entrevista ao Defense News, engenheiros do conglomerado de defesa italiano Leonardo revelaram detalhes sobre o novo radar MRFS (Multi-Function Radar Frequency System) que equipará o BAe Systems Tempest, conceito de caça de sexta geração em desenvolvimento pelo Reino Unido, Itália e Suécia. 

O MRFS vai coletar e processar 10.000 vezes mais dados que os sistemas existentes. Isso é equivalente ao tráfego de internet de uma cidade grande a cada segundo. A companhia também afirmou que os subsistemas já foram construídos e testados com sucesso, preparando o caminho para futuros testes aeroembarcados. 

Para melhorar o desempenho do radar, os engenheiros tiveram que repensar totalmente a tecnologia usada nos radares AESA (Varredura Eletrônica Ativa) de hoje em dia, onde o conceito básico envolve uma antena constituída por uma grade de pequenos Módulos de Recepção e Transmissão (TRM).

Imagem: BAe Systems.

Os TRM são como pequenas antenas que podem criar seu próprio feixe de radar ou se unirem para criar um feixe maior. A grade é dividida em grupos menores, onde cada um é atribuído a um receptor localizado atrás da antena, devido ao seu tamanho, onde o sinal é digitalizado antes de ser enviado ao processador. Devido a este posicionamento, o sinal analógico tem que ser transferido através de cabos coaxiais, que no entanto causam alguma perda de dados no processo.

Para evitar essa perda de dados, a Leonardo está trabalhando em receptores miniaturizados que podem ser integrados à antena, eliminando a necessidade de um cabo coaxial e reduzindo a perda de dados. O uso de cabos de fibra óptica pode reduzir ainda mais a perda de dados quando o sinal digital é enviado do receptor para o processador.

“Receptores miniaturizados podem digitalizar o sinal dentro da antena de maneira muito mais antecipada na cadeia de recepção”, disse o engenheiro-chefe do projeto, Tim Bungey.

“Digitalizar os dados mais perto da matriz significa que mais dados podem ser recebidos e transmitidos. Os dados podem ser manipulados de forma mais flexível e há mais potencial para usar o radar como um sensor multifuncional, como para enlace de dados e guerra eletrônica”, completou Bungey. 

Foto – Peter Nicholls/Reuters

Duncan McCrory, engenheiro chefe da Leonardo para o Tempest, o MRFS será integrado ao Tempest Mission System, que incorpora suítes completas de guerra eletrônica, capacidades de auxílio de defesa, um amplo sistema de comunicações e o uso de sensores eletro-ópticos e infravermelhos (EO/IR) para pontaria, aquisição de alvos e consciência situacional. 

Segundo McCrory, “os dados capturados por esses sistemas serão combinados para criar um amplo quadro de consciência situacional para a tripulação. Essas informações também serão combinadas com os dados recebidos de outras aeronaves e sistemas não tripulados, com o conceito de aprendizado de máquina sendo empregado para combinar e processar o quadro geral de consciência situacional para a tripulação.” 

Dessa maneira, a tripulação não sofrerá sobrecarga de informações, permitindo uma rápida absorção de dados e tomada de decisões com base informações devidamente processadas e validadas, respondendo “rapidamente às ameaças em ambientes altamente contestados”.

Tempest. Foto: BAe Systems.

O foco do desenvolvimento do Tempest são seus sistemas, ou seja, a aeronave está sendo desenvolvida de dentro para fora. A aeronave ainda não está em seu conceito final, e seu design poderá ser alterado para refletir as mudanças nos sistemas internos, o que foi confirmado por McRory.

“Estamos efetivamente projetando a aeronave de dentro para fora; com isso, quero dizer que estamos trabalhando em estreita colaboração com o Ministério da Defesa para entender os requisitos futuros de detecção, comunicação e capacidade de efeitos e, em seguida, trabalhar com os parceiros da Equipe Tempest para garantir que a aeronave possa acomodar e suportar os sistemas aviônicos necessários”, afirmou McRory. 

No mês passado, o Ministro da Defesa italiano Lorenzo Guerini, o Secretário de Estado da Defesa britânico Ben Wallace e o Ministro da Defesa sueco, Peter Hultkvist, assinaram um Memorando de Entendimento trilateral de Cooperação para o Sistema Aéreo de Combate do Futuro (FCAS),

O memorando abrange a cooperação para pesquisa, desenvolvimento e concepção conjunta do Tempest, com o objetivo de obter uma participação igualitária dos países signatários nas atividades relacionadas ao programa, com efeitos positivos para cada indústria de defesa própria, pequenas e médias empresas, institutos de pesquisa e universidades.

Via Defense News e The Aviationist

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